Tenho um impulso que ainda não consegui tratar: comprar e ler(ainda que nem sempre dê) todo o tipo de revista. Da Bravo a Wallpaper.
Pois é. Aí é que o bicho pegou. Nos últimos dias, consequência do acúmulo de viagens, juntei um embaraçoso volume de revistas, que ainda não sei como dar cabo de ler. Nesse final de semana, quente e ensolarado em Porto Alegre, juntei 5 delas e me aboletei numa espreguiçadeira. Numa espécie de roleta russa, catei a primeira: Esquire. Target: jovem americano, metido a descolado, juntando dinheiro pra comprar alguma daquelas maravilhas anunciadas nas impressionantes primeiras vinte páginas. De ternos Prada ao último modelo de notebook da Dell. Direção de Arte caprichada, diagramação impecável. Uma matéria sobre como fazer a mala, uma outra, vá lá, interessante, sobre produtos “green”, mochilas com baterias solares que carregam o notebook e por aí vai. Uns samples de perfumes depois, joguei aquele monte de papel bem editado na grama. Alguma reflexão? Necas.
Com o mesmo critério solar-randômico, passei a folhear a Wallpaper. Sessenta páginas de anúncios depois, a gente acha o primeiro texto. Uma carta do editor, fazendo loas a uma exposição do Corbusier em Londres, concreto pra cá, lofts pra lá, não fui até o fim do texto, porque o cara começou a falar do bairro onde ele nasceu, o qual eu não tive o menor interesse em conhecer. Anúncios do Patek Philippe depois, me deparo com uma matéria com título metido, falando sobre taxidermia aplicada ao design, ilustrada por horrorrosos lustres de pombos empalhados. Eu já estava começando a me irritar com aqueles anúncios de produtos que só são usados…nos anúncios. Fala sério: quem toma banho numa banheira de quatro pontas com um chuveiro no meio? Mais adiante fiquei intrigado com um anúncio de uma tal Eggersmann(www.eggersmann.com). Não dá pra saber se é uma cozinha, um balcão ou uma tumba. Vai lá no site e descubra você mesmo. Força na peruca. “Mario, seu ignaro, é a Wallpaper, dá um desconto”. Minha paciência acabou quando cheguei a pagina 187. Trick Shot era o título da matéria sobre mobiliário de formas geométricas. Feios, inúteis, frios.
Deu, não é? Quem lê deve estar se perguntando por que esse cara está com raiva de uma revista tão bacana como a Wallpaper.
É que, no dia-a-dia, a gente acaba sorvendo tanta coisa sem sentido, sob a desculpa da busca de “referências”. Vale para a propaganda, para a cultura, para a arte e qualquer outra manifestação humana. Acabamos substituindo o olhar curioso. O olhar reflexivo. Afinal está tudo ali, naquela estética pós-não-sei-o-quê. É rapido, incolor, insípido e inodoro. Nem ler, precisa.
Ainda bem. Diminuí minha pilha de revistas com certa rapidez e fui ler Vitaminas Filosóficas, que eu surrupiei da mesa do Beto Callage. Que alíás, recomendo pra quando o olho cansar do photoshop.