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O que fazer em caso de catástrofe

sexta-feira, 5 de março de 2010

Chile1

Depois da tragédia que sucedeu no Chile, quando foi abalada por um dos maiores terremotos do mundo, pude ver in loco alguns erros e acertos de empresas. A questão o que fazer em momentos de crise é muito conhecida quando a empresa está no foco do problema, mas o que fazer quando o país, a população entra em crises como essa? Aqui alguns exemplos que pude ver sobre o que fazer e o que não fazer durante uma catástrofe.

Nos dia seguinte ao terremoto foram publicados anúncios de empresas com ótimas estratégias:
O Banco do Chile aumentou prazos, zerou juros, agilizou o atendimento dos clientes de seguros, deram descontos em seus cartões de crédito para compras em farmácias e lojas de material de construção. Outro banco liberou empréstimos em dinheiro vivo para ser pago em várias parcelas sem juros.

Uma empresa de telefonia deu grandes descontos para todas as ligações aos locais afetados pelo terremoto. Ainda recomendou a todos a racionalizarem as linhas telefônicas: falando o menos possível, enviando mensagens em vez de ligações e solicitando que não façam download de arquivos - tudo isso para que as linhas telefônicas estejam sempre livres no caso de emergência. Outra empresa de telefonia foi mais longe: deu aos seus clientes da área afetada vinte minutos mais 80 mensagens de texto totalmente grátis.

Supermercados e lojas agradeceram publicamente o esforço de seus funcionários para ajudar a reabrir as lojas, apesar das circunstancias. Também reiteraram - ajudando o governo - que não havia nenhum problema de estoque e abastecimento de água, comida ou remédios.

Um dos grandes times de futebol do país abriu uma sessão de autógrafos e fotos com os seus jogadores para os seus torcedores, em troca pediram qualquer tipo de ajuda ou de doações.

Essas foram as principais ações das empresas que se manifestaram durante o grande caos que se tornou o país depois do sismo. As ações não só ajudaram efetivamente a população, como também garantiram para as marcas uma imagem muito positiva de seus clientes.

Chile
Entretanto, muitas empresas demoraram a reagir e repensar suas ações frente ao terremoto. Os supermercados que decidiram por não abrir as portas nos dias que sucederam a tragédia tiveram um verdadeiro revés: foram saqueados, e alguns, incendiados. Nesse caso, teria sido um prejuízo muito menor, se os supermercados doassem para a população toda a bebida e comida que tinham em estoque.

Além disso, um problema muito freqüente que se viu foi que algumas empresas não retiraram as suas propagandas (tanto em tevê, como em jornal) que não estivessem falando do terremoto. Era realmente muito estranho assistir ao noticiário mostrando milhões de desamparados e, logo em seguida, assistir uma propaganda com pessoas sorridentes, fazendo coisas irreverentes em suas casas perfeitas. Teria sido melhor não ter absolutamente nenhuma comunicação.

Esses foram os principais pontos que se pôde ver em relação a ações e comunicação de empresas depois da catástrofe no Chile. O principal é facilitar a vida das pessoas e comunicar sabendo que as pessoas estão sensibilizadas ao extremo.

Do Fórum para as empresas

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O Fórum Social Mundial é um grande evento que reúne diversos perfis e instituições da sociedade para um debate democrático de ideias focadas no futuro social do mundo. A DCS acredita que deve estar em todos os lugares onde existe debate de ideias, por isso foi lá conferir o que os participantes acham que as empresas podem fazer para melhorar o mundo.
Do fórum para as empresas

Tudo tem influência

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

radiator

Saiu no BPS Digest.

Alguns psiquiatras ingleses reuniram 52 pessoas de variados perfis em duas dinâmicas separadas e apresentaram a elas a uma animação que apresentava uma série de momentos – engraçados, tristes, tensos, felizes, animados, depressivos etc.

Porém, durante a primeira dinâmica as pessoas estavam em uma sala onde os termômetros apontavam 16 graus, enquanto os participantes da segunda dinâmica assistiram ao filme em uma sala com temperatura ambiente de 22 graus.

Após a exibição, os participantes tinham foram questionados sobre como se sentiram em relação ao filme.

A análise apontou que os participantes que ficaram na sala quente se sentiram mais conectados com os personagens e utilizaram adjetivos mais próximos para descrevê-los.

Logicamente este tipo de raciocínio é de difícil aplicação a comunicação geral (ou é um desafio!), porém vale para nos lembrar que cada detalhe tem o poder de transformar a mensagem.

O futuro do marketing

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Li um artigo muito interessante do Gareth Kay, head de planejamento da Modernista! esses dias. O artigo não é tão novo, muito do conteúdo faz parte do que ele falou na Conferência de Planejamento, ano passado, em SP. Mas algumas coisas são bem pontuais e provocantes, por isso achei uma boa levantar aqui.

Sempre que uma nova tecnologia aparece, marcas e agências correm desesperadamente para “estar nela”. Esteja no twitter, faça algo no facebook, no second life, lance uma campanha no You Tube… vocês conhecem bem a novela.

Segundo Kay, nós temos o costume de superestimar os efeitos das novas tecnologias no curto-prazo, ao mesmo tempo que subestimamos os seus efeitos no longo-prazo.

Tudo que tem acontecido em termos de novas tecnologias traz conseqüências fundamentais para o comportamento das pessoas e a cultura moderna, mas é no longo-prazo.

Nesse cenário, o marketing com certeza será afetado. Podemos esboçar aqui quatro pontos fundamentais pra gente observar:

1. Marcas terão missões culturais ou sociais, e não comerciais.
2. Será a respeito do que você faz, e não do que você diz.
3. Muitas pequenas idéias ao invés de uma grande idéia.
4. Pessoas em primeiro lugar.

Resumindo tudo, dá pra dizer que o futuro do marketing passa por criar valor cultural. Criando valor cultural, haverá valor comercial.

Qual é a missão cultural da sua marca?

Reestruturação no Varejo

sexta-feira, 26 de junho de 2009

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Na palestra da DCS “Vendendo na Crise”, um dos pontos abordados dizia que o varejo iria passar por uma reestruturação. E que essa reestruturação se daria fundamentalmente pela eliminação de alguns players.

De fato, pudemos já observar isso em níveis bem macro com casos como a Circuit City ou até a própria GM. E até aqui, onde a marolinha bateu de leve, algumas empresas não resistiram.

Agora, um setor específico do varejo está passando por uma reestruturação muito semelhante: as mega-stores de discos de CDs. O New York Times publicou uma matéria falando justamente sobre como essas grandes lojas estão desaparecendo (o último caso foi a Virgin Mega Store em NY).

Claro que isso passa por uma mudança de formato fundamental: a música migrou quase que definitivamente para o ambiente digital. Mas a crise “desligou os aparelhos” que mantinham essas lojas respirando.

O interessante é que, além de comercializar os discos e CDs, essas lojas eram o local onde se cultivava um hábito muito comum às pessoas que era conversar e aprender sobre música.

E embora alguns sites já ofereçam alternativas nesse sentido, eu ainda apostaria na manutenção desse comportamento em um ambiente não-virtual. Aqui no Brasil, as pequenas lojas de vinis estão sobrevivendo. Eu diria que, além da atmosfera cool que os vinis adquiriram hoje, esse hábito é uma das coisas que as mantém vivas.

Imagine se a sua marca representasse esse ponto de encontro para as pessoas. Será que é possível construir isso?

Encolheu!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Embalagens menores estão por todos os lugares. Não foi só a crise e a necessidade dos consumidores reduzirem custo, a meu ver, o processo de encolhimento é muito mais uma questão de praticidade na vida contemporânea do que uma simples forma de economizar.

Alguns exemplos deste movimento são facilmente identificados: como é o caso da rede Extra, do grupo Pão de Açúcar, que irá lançar lojas cada vez menores, o que facilita a customização das lojas de acordo com o cliente de cada região. O Wal - Mart também, em função dos custos tenta trabalhar cada vez mais com seus fornecedores a importância da redução das embalagens. Não é somente no varejo, na indústria automobilística este processo também aparece, com carros cada vez menores: é o caso do Smart e do Mini (como o próprio nome já diz).

Acredito que além da necessidade de repensar custos, depois da avalanche da crise, a questão da sustentabilidade faz com que todo o mercado repense qualquer tipo desperdício, inclusive o de embalagens. Mas a busca por produtos cada vez menores, me parece algo maior que seria a praticidade e a facilidade de colocar a vida dentro de um smartphone ou de um pendrive bem como todos os produtos dentro de uma mochila.

Direto do BETA.

Iludidos pelo Acaso

sexta-feira, 20 de março de 2009

Essa semana li este artigo escrito pelo Stephan Kanitz e gostaria de dividir com vocês.

Iludidos Pelo Acaso

Muitas pessoas acham erroneamente que jornalistas são, por definição, negativos, o pessoal do contra — e que, por isso, a imprensa privilegia más notícias.

Embora alguns jornalistas optem de fato pela má notícia, existe um outro fenômeno que afeta os leitores, um fenômeno chamado a ilusão do acaso. Quem explica isso é o estatístico Nassim Taleb, autor do livro “Iludido pelo Acaso”.

Embora ele não trate de jornalismo, mas do mercado de ações, mostrarei aqui a analogia com jornalismo — isso se vocês tiverem paciência, porque a lógica é, de fato, complicada. Mas vale a pena!

O mercado de ações americano sobe há mais de 40 anos a uma taxa média de 12% ao ano, lembrando-se de que média é media. Metade dos anos ele valoriza mais do que isso (uma excelente notícia), a outra metade ele cresce menos (o que continua sendo boa notícia, com exceção das poucas vezes em que a rentabilidade é negativa e você perde dinheiro). Apesar da volatilidade diária, olhando uma única vez por ano, você verá mais boas notícias do que notícias ruins.

Isso porque o mundo está melhorando lentamente, dando dois passos para frente e um para trás. Se você observar sua carteira de ações uma única vez por ano, em 40 anos você terá 93% de boas notícias: você ficou mais rico. Mas em 7% das vezes, ou 3 anos dos 40, a notícia será ruim: você ficou mais pobre (ou menos rico). Se você observar o nível da Bolsa de Valores todo trimestre, a situação muda de figura: 67% das vezes você ficará feliz - a Bolsa subiu no trimestre.

No entanto, 33% das vezes você terá uma má notícia: a Bolsa caiu e você empobreceu naquele semestre. Quem criou a frase dois passos para frente e um para trás deveria ler jornal a cada trimestre, que era a periodicidade de muitos almanaques da época. Como temos um gene de pessimismo, uma má notícia nos afeta 2 a 3 vezes mais emocionalmente do que uma boa notícia. Ou seja, apesar de você estar ganhando dinheiro trimestralmente, a sensação média é de quase empate ou vazia.

Em alta Em queda
Todo Ano 93% 7%
Todo Trimestre 67% 33%
Toda Semana 59% 41%
Todo Dia 54% 46.99%
Cada Minuto 50% 49.83%

Se você observar suas ações todo dia, como todo jornalista econômico faz, a situação ficará feia. 54% das vezes você terá boas notícias — a Bolsa subiu! E em 46% das vezes, você ficará infeliz…

E, como ninguém mantém esta contabilidade rigorosa, a sensação poderá ser de empate — ou até de que você, na média, perde dinheiro.

As oscilações de curto prazo da Bolsa, que chegam a ser mais ou menos 3%, ofuscam o lento crescimento de longo prazo de 0,056% ao dia. O 0,056% é quase imperceptível “a olho nu”, mas, depois de 200 pregões, chega aos nossos 12% ao ano.
No dia a dia, você só vê a volatilidade do curto prazo, e não a tendência de longo prazo. Você está sendo iludido pelo acaso, iludido pelas pequenas flutuações normais do dia a dia. Por isso, corretor de ações não é rico, day traders normalmente perdem dinheiro, especuladores pagam mais em corretagem do que ganham.

Por isso, tantos jornalistas econômicos e a maioria dos brasileiros acham que a Bolsa é um cassino, que é pura especulação, que é coisa para jogadores. Aqueles que mantêm uma “distância sadia” da Bolsa, aqueles que compram e ficam, e só olham as 93% de observações anuais, terão a visão que poucos têm — de que aplicar na Bolsa é relativamente seguro e de que só dá alegrias em 93% das vezes. É devido a essa ilusão do acaso que 98% dos brasileiros deixam de investir na categoria mais rentável do mundo, rendendo 12% ao ano em termos REAIS, preferindo títulos do governo que pagam 4% de valor real, e olhe lá.

Ultimamente, a situação ficou anda pior. Quem olhar pela internet a cada minuto, algo que só a nova geração teve o privilégio de experimentar, verá a Bolsa subir 50% das vezes e cair 49% das vezes. O crescimento histórico fica totalmente imperceptível.
O que tudo isso tem a ver com jornalismo?

Se a Bolsa incorpora todas as notícias boas e más do momento, isso significa que 50,1% das notícias são, de fato, boas para a Bolsa e que os outros 49,9% são notícias negativas, ao ponto de derrubar a Bolsa. Por isso, ela oscila de minuto a minuto, dia a dia.
Ou seja, se você quiser investir na Bolsa sem ficar com a sensação de que ela é um cassino, o melhor é não ler o noticiário econômico. Muito menos pela internet.

Refazendo a tabela de Taleb para o jornalismo, teríamos a seguinte distribuição:

Más notícias Boas notícias
Jornalismo online 49,8% 50,2%
Jornalismo diário 46% 54%
Jornalismo semanal 41% 59%
Jornalismo mensal 33% 67%
Jornal anual 7% 93%

Ou seja, quem lê notícias diariamente será muito mais pessimista do que alguém que lê uma revista semanal como a Veja ou uma revista mensal como Época Negócios.
Otimistas são aqueles que lêem as edições de final de ano, cheias de esperanças e de dados de tendências para o ano seguinte, e aqueles que assistem uma vez por ano a uma palestra minha ou de outros economistas positivos como Octávio Barros ou Ricardo Amorim.
Por isso, jornalistas diários são mais pessimistas do que colunistas semanais, que por sua vez são mais pessimistas do que colunistas mensais.
Em momentos de crise, tendemos a aumentar a freqüência com que procuramos notícias, o que só piora a situação.

Se você observar a Bolsa todo ano, terá 93% de alegrias, como normalmente se faz com renda fixa e imóveis. Nem existem cotações diárias para imóveis e renda fixa. Se existissem, as notícias não seriam boas. Imóveis, como carros, desvalorizam ano após ano devido a idade e obsolescência do imóvel.

O jornalismo que dá certo é aquele que não se permite ser “Iludido pelo Acaso”. É aquele que coloca a notícia no contexto, que aponta as tendências de longo prazo, que ignora marolas e concentra no horizonte que nem sempre aparece numa tempestade.

O jornalismo que dá certo é o que este site pretende ajudar a criar. Se você tem um blog de notícias, continue a publicar as más noticias que surgem para não ser tachado de otimista, mas contextualize com as análises que faremos aqui sobre O Brasil Que Dá Certo. Apesar dos pesares do dia a dia.

Stephen Kanitz

Ignore. Accept. Your choice.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Lá pelos idos dos 60, pouquíssimas marcas, além de alimentos e eletrodomésticos anunciavam em TV.

A demanda por espaço era bem baixa.

Dava pra lançar um produto com uns milharezinhos de cruzeiros (sim, isso já foi moeda no Brasil…) e ainda sobrar dinheiro no orçamento.

E os comerciais eram vistos (ao vivo!), reverenciados.

Pois é.

Não existia Xbox, PS3, Internet, celular, sms, Gameboy, MSN, LastFM, Google, Youtube, Limewire, Tivo, nada disso para distrair.

O consumidor sequer podia trocar de canal no intervalo.

O controle remoto só deu as caras, lá por 1978.

Na mesma época, inventou-se o “marketing” como conhecemos hoje. O conceito foi criado na esteira do sucesso da TV barata.

E viveram felizes juntos, por um bom tempo.

O problema é que isso não nos pertence mais.

Nos grandes mercados, como o americano, o japonês e o europeu, o consumidor tem mais dinheiro pra gastar do que jamais teve, nos últimos trinta anos. E todo mundo quer a sua atenção. E então, o anunciante tem cada vez menos condições de suportar o investimento para chegar nessas mesmas pessoas, da mesma maneira que sempre fez.

Veio a segmentação, grupos menores, diferentes hábitos, comportamentos diversos. Uma marca que tem seu target em 10% da audiência não pode anunciar em TV como aquela que tem 60% . E aí a TV ficou mais cara ainda.

O crescimento de demanda por air-time, combinado com audiências segmentadas e o enorme esforço do consumidor pra fugir da nossa propaganda estão mudando as regras do jogo. (Estudos mostram que desde 2003, o consumidor gasta mais em games, DVDs, cable ads-free, para evitar propaganda, do que a indústria da propaganda gasta para atingi-los).

O que fazer?

Think Digital!

Quando vamos aceitar de uma vez, que a comunicação digital não é estratégia marginal?

Quando vamos aceitar que comunicação digital pode ser mais eficaz e impactante quando temos que atingir as pessoas certas no momento certo?

Que o boca-a-boca online é uma arma poderosíssima?

Esse post não é apologia contra a TV.

Até porque ela funciona muito diferentemente de outros mercados citados aqui.

Audiências de mais de 50 milhões de pessoas. Mass-media é teu nome.

Mas isso, um dia vai acabar.

E quando acabar, você estará preparado?

Mario Paravisi – VP de Atendimento e Novos Negócios da DCS. Fazendo de tudo pra estar preparado.