Arquivo de março de 2009

Iludidos pelo Acaso

sexta-feira, 20 de março de 2009

Essa semana li este artigo escrito pelo Stephan Kanitz e gostaria de dividir com vocês.

Iludidos Pelo Acaso

Muitas pessoas acham erroneamente que jornalistas são, por definição, negativos, o pessoal do contra — e que, por isso, a imprensa privilegia más notícias.

Embora alguns jornalistas optem de fato pela má notícia, existe um outro fenômeno que afeta os leitores, um fenômeno chamado a ilusão do acaso. Quem explica isso é o estatístico Nassim Taleb, autor do livro “Iludido pelo Acaso”.

Embora ele não trate de jornalismo, mas do mercado de ações, mostrarei aqui a analogia com jornalismo — isso se vocês tiverem paciência, porque a lógica é, de fato, complicada. Mas vale a pena!

O mercado de ações americano sobe há mais de 40 anos a uma taxa média de 12% ao ano, lembrando-se de que média é media. Metade dos anos ele valoriza mais do que isso (uma excelente notícia), a outra metade ele cresce menos (o que continua sendo boa notícia, com exceção das poucas vezes em que a rentabilidade é negativa e você perde dinheiro). Apesar da volatilidade diária, olhando uma única vez por ano, você verá mais boas notícias do que notícias ruins.

Isso porque o mundo está melhorando lentamente, dando dois passos para frente e um para trás. Se você observar sua carteira de ações uma única vez por ano, em 40 anos você terá 93% de boas notícias: você ficou mais rico. Mas em 7% das vezes, ou 3 anos dos 40, a notícia será ruim: você ficou mais pobre (ou menos rico). Se você observar o nível da Bolsa de Valores todo trimestre, a situação muda de figura: 67% das vezes você ficará feliz - a Bolsa subiu no trimestre.

No entanto, 33% das vezes você terá uma má notícia: a Bolsa caiu e você empobreceu naquele semestre. Quem criou a frase dois passos para frente e um para trás deveria ler jornal a cada trimestre, que era a periodicidade de muitos almanaques da época. Como temos um gene de pessimismo, uma má notícia nos afeta 2 a 3 vezes mais emocionalmente do que uma boa notícia. Ou seja, apesar de você estar ganhando dinheiro trimestralmente, a sensação média é de quase empate ou vazia.

Em alta Em queda
Todo Ano 93% 7%
Todo Trimestre 67% 33%
Toda Semana 59% 41%
Todo Dia 54% 46.99%
Cada Minuto 50% 49.83%

Se você observar suas ações todo dia, como todo jornalista econômico faz, a situação ficará feia. 54% das vezes você terá boas notícias — a Bolsa subiu! E em 46% das vezes, você ficará infeliz…

E, como ninguém mantém esta contabilidade rigorosa, a sensação poderá ser de empate — ou até de que você, na média, perde dinheiro.

As oscilações de curto prazo da Bolsa, que chegam a ser mais ou menos 3%, ofuscam o lento crescimento de longo prazo de 0,056% ao dia. O 0,056% é quase imperceptível “a olho nu”, mas, depois de 200 pregões, chega aos nossos 12% ao ano.
No dia a dia, você só vê a volatilidade do curto prazo, e não a tendência de longo prazo. Você está sendo iludido pelo acaso, iludido pelas pequenas flutuações normais do dia a dia. Por isso, corretor de ações não é rico, day traders normalmente perdem dinheiro, especuladores pagam mais em corretagem do que ganham.

Por isso, tantos jornalistas econômicos e a maioria dos brasileiros acham que a Bolsa é um cassino, que é pura especulação, que é coisa para jogadores. Aqueles que mantêm uma “distância sadia” da Bolsa, aqueles que compram e ficam, e só olham as 93% de observações anuais, terão a visão que poucos têm — de que aplicar na Bolsa é relativamente seguro e de que só dá alegrias em 93% das vezes. É devido a essa ilusão do acaso que 98% dos brasileiros deixam de investir na categoria mais rentável do mundo, rendendo 12% ao ano em termos REAIS, preferindo títulos do governo que pagam 4% de valor real, e olhe lá.

Ultimamente, a situação ficou anda pior. Quem olhar pela internet a cada minuto, algo que só a nova geração teve o privilégio de experimentar, verá a Bolsa subir 50% das vezes e cair 49% das vezes. O crescimento histórico fica totalmente imperceptível.
O que tudo isso tem a ver com jornalismo?

Se a Bolsa incorpora todas as notícias boas e más do momento, isso significa que 50,1% das notícias são, de fato, boas para a Bolsa e que os outros 49,9% são notícias negativas, ao ponto de derrubar a Bolsa. Por isso, ela oscila de minuto a minuto, dia a dia.
Ou seja, se você quiser investir na Bolsa sem ficar com a sensação de que ela é um cassino, o melhor é não ler o noticiário econômico. Muito menos pela internet.

Refazendo a tabela de Taleb para o jornalismo, teríamos a seguinte distribuição:

Más notícias Boas notícias
Jornalismo online 49,8% 50,2%
Jornalismo diário 46% 54%
Jornalismo semanal 41% 59%
Jornalismo mensal 33% 67%
Jornal anual 7% 93%

Ou seja, quem lê notícias diariamente será muito mais pessimista do que alguém que lê uma revista semanal como a Veja ou uma revista mensal como Época Negócios.
Otimistas são aqueles que lêem as edições de final de ano, cheias de esperanças e de dados de tendências para o ano seguinte, e aqueles que assistem uma vez por ano a uma palestra minha ou de outros economistas positivos como Octávio Barros ou Ricardo Amorim.
Por isso, jornalistas diários são mais pessimistas do que colunistas semanais, que por sua vez são mais pessimistas do que colunistas mensais.
Em momentos de crise, tendemos a aumentar a freqüência com que procuramos notícias, o que só piora a situação.

Se você observar a Bolsa todo ano, terá 93% de alegrias, como normalmente se faz com renda fixa e imóveis. Nem existem cotações diárias para imóveis e renda fixa. Se existissem, as notícias não seriam boas. Imóveis, como carros, desvalorizam ano após ano devido a idade e obsolescência do imóvel.

O jornalismo que dá certo é aquele que não se permite ser “Iludido pelo Acaso”. É aquele que coloca a notícia no contexto, que aponta as tendências de longo prazo, que ignora marolas e concentra no horizonte que nem sempre aparece numa tempestade.

O jornalismo que dá certo é o que este site pretende ajudar a criar. Se você tem um blog de notícias, continue a publicar as más noticias que surgem para não ser tachado de otimista, mas contextualize com as análises que faremos aqui sobre O Brasil Que Dá Certo. Apesar dos pesares do dia a dia.

Stephen Kanitz

O ano da França no Brasil, na DCS e no DFI

terça-feira, 17 de março de 2009

A campanha do Donna Fashion Iguatemi/Edição Outono-Inverno entrou na pauta trazendo a expectativa e a animação de sempre para a criação. Como todos os anos, os clientes Iguatemi e Zero Hora esperavam um trabalho diferenciado, moderno, original e, como não poderia deixar de ser, superbonito. A responsabilidade não era pequena.

Nessa edição, o tema Ano da França no Brasil pintou como candidato natural, dada a ligação de Paris com a moda. A forma de materializar o tema na campanha foram ilustrações com ar très francês, como as encontradas em revistas de moda e cartazes parisienses. Para completar, uma trilha composta em cima de referências da música francesa ficou em off na animação do comercial de TV. E é também o jingle que já entrou no ar.

Aí vai a ficha técnica da campanha. Voilà!

Criação: João Pedro Vargas e Claudia Tajes
Direção de Criação: Roberto Callage
Ilustração: André Mello
Atendimento: Márcia Porto e Luciana Pires

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Ignore. Accept. Your choice.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Lá pelos idos dos 60, pouquíssimas marcas, além de alimentos e eletrodomésticos anunciavam em TV.

A demanda por espaço era bem baixa.

Dava pra lançar um produto com uns milharezinhos de cruzeiros (sim, isso já foi moeda no Brasil…) e ainda sobrar dinheiro no orçamento.

E os comerciais eram vistos (ao vivo!), reverenciados.

Pois é.

Não existia Xbox, PS3, Internet, celular, sms, Gameboy, MSN, LastFM, Google, Youtube, Limewire, Tivo, nada disso para distrair.

O consumidor sequer podia trocar de canal no intervalo.

O controle remoto só deu as caras, lá por 1978.

Na mesma época, inventou-se o “marketing” como conhecemos hoje. O conceito foi criado na esteira do sucesso da TV barata.

E viveram felizes juntos, por um bom tempo.

O problema é que isso não nos pertence mais.

Nos grandes mercados, como o americano, o japonês e o europeu, o consumidor tem mais dinheiro pra gastar do que jamais teve, nos últimos trinta anos. E todo mundo quer a sua atenção. E então, o anunciante tem cada vez menos condições de suportar o investimento para chegar nessas mesmas pessoas, da mesma maneira que sempre fez.

Veio a segmentação, grupos menores, diferentes hábitos, comportamentos diversos. Uma marca que tem seu target em 10% da audiência não pode anunciar em TV como aquela que tem 60% . E aí a TV ficou mais cara ainda.

O crescimento de demanda por air-time, combinado com audiências segmentadas e o enorme esforço do consumidor pra fugir da nossa propaganda estão mudando as regras do jogo. (Estudos mostram que desde 2003, o consumidor gasta mais em games, DVDs, cable ads-free, para evitar propaganda, do que a indústria da propaganda gasta para atingi-los).

O que fazer?

Think Digital!

Quando vamos aceitar de uma vez, que a comunicação digital não é estratégia marginal?

Quando vamos aceitar que comunicação digital pode ser mais eficaz e impactante quando temos que atingir as pessoas certas no momento certo?

Que o boca-a-boca online é uma arma poderosíssima?

Esse post não é apologia contra a TV.

Até porque ela funciona muito diferentemente de outros mercados citados aqui.

Audiências de mais de 50 milhões de pessoas. Mass-media é teu nome.

Mas isso, um dia vai acabar.

E quando acabar, você estará preparado?

Mario Paravisi – VP de Atendimento e Novos Negócios da DCS. Fazendo de tudo pra estar preparado.