Arquivo de julho de 2009

A gripe na Argentina a partir do ponto de vista do consumo

sexta-feira, 24 de julho de 2009

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A nova gripe se tornou uma pandemia na Argentina: é o segundo país com o maior número de infectados. Há algumas semanas, quando era o auge da crise, o país foi obrigado a mudar drasticamente seus hábitos para evitar uma maior contaminação.

Os argentinos tiveram que evitar ao máximo lugares fechados com muitas pessoas - bares, festas, transporte público, shoppings, ruas movimentadas, restaurantes, etc. Todos esses locais foram abandonados. Entretanto, necessidades e desejos tiveram que ser supridos apesar desse impedimento. E com isso, mudou os hábitos de consumo.

Os argentinos tiveram que ficar mais em casa - os que puderam, nem ao local de trabalho foram. Telentrega de refeições aumentou em 20%, o que, para um país que tem hábito de comer fora, é muito alto. Ao mesmo tempo, as pessoas que nunca foram adeptas das compras pela internet, foram obrigadas a experimentar esse artifício. O presidente da confederação das médias empresas afirmou que os pedidos por internet e por telefone já aumentaram 30%.

Os shoppings hoje começam a notar alguma melhora no movimento. Por conta disso, as marcas tiveram que adaptar seus sistemas de venda. Duas marcas de varejo de moda muito conhecidas em Buenos Aires criaram um serviço que permite aos clientes fazerem compras por telefone ou internet e terem suas compras entregues em casa no mesmo dia.

Já na parte de gastronomia, a entidade responsável por esse segmento no país registrou uma queda de 30% de clientes em bares, confeitarias e restaurantes. No último Dia dos Amigos - uma data muito celebrada pelos jovens argentinos -, a confraternização teve que ser redirecionada, já que bares e baladas estavam fechadas. Restringidos a pequenas festas em casa, os jovens expressaram sua amizade por meio das redes sociais - mensagens no Facebook, vídeos no YouTube, mensagens instantâneas. Muitas marcas aproveitaram a oportunidade e criaram formas próprias para saudar virtualmente os amigos.
As empresas de telefonia foram as que mais registraram benefícios - uma das operadoras afirmou que o número de mensagens de texto enviadas duplicou em relação ao Dia do Amigo do ano passado.

Essas mudanças de consumo e essas adaptações de empresas lembram muito o que aconteceu nos EUA durante o auge da recessão. As duas crises apresentaram ideias e exemplos que podem ser explorados na nossa realidade e até mesmo para prevenir futuras crises.

O futuro do marketing

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Li um artigo muito interessante do Gareth Kay, head de planejamento da Modernista! esses dias. O artigo não é tão novo, muito do conteúdo faz parte do que ele falou na Conferência de Planejamento, ano passado, em SP. Mas algumas coisas são bem pontuais e provocantes, por isso achei uma boa levantar aqui.

Sempre que uma nova tecnologia aparece, marcas e agências correm desesperadamente para “estar nela”. Esteja no twitter, faça algo no facebook, no second life, lance uma campanha no You Tube… vocês conhecem bem a novela.

Segundo Kay, nós temos o costume de superestimar os efeitos das novas tecnologias no curto-prazo, ao mesmo tempo que subestimamos os seus efeitos no longo-prazo.

Tudo que tem acontecido em termos de novas tecnologias traz conseqüências fundamentais para o comportamento das pessoas e a cultura moderna, mas é no longo-prazo.

Nesse cenário, o marketing com certeza será afetado. Podemos esboçar aqui quatro pontos fundamentais pra gente observar:

1. Marcas terão missões culturais ou sociais, e não comerciais.
2. Será a respeito do que você faz, e não do que você diz.
3. Muitas pequenas idéias ao invés de uma grande idéia.
4. Pessoas em primeiro lugar.

Resumindo tudo, dá pra dizer que o futuro do marketing passa por criar valor cultural. Criando valor cultural, haverá valor comercial.

Qual é a missão cultural da sua marca?

E-Consumidores

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O número de consumidores que compraram pela internet chegou a 13,2 milhões de brasileiros em 2008, o que representa um aumento de 39% em relação a 2007, segundo dados do relatório WebShoppers, realizado pela consultoria e-bit.

E o potencial de expansão para 2009 é ainda maior.

O volume de consumidores online aumentou consideravelmente nos últimos anos devido à entrada das classes C, D e E no meio digital. Segundo a e-bit, famílias com renda média mensal de até 3 mil reais representaram 60% dos novos e-consumidores em 2008. O mesmo estudo estima uma expansão de 70% nas mesmas classes para 2009.

Hoje, 75% dos internautas brasileiros possuem renda de até cinco salários mínimos mensais, sendo que, 55% deles estão na classe C. A base da pirâmide social brasileira também é dona de 69% dos cartões de crédito que circulam no país.

O IBGE também divulgou recentemente que a web influencia em 15% das compras dos brasileiros, até mesmo daqueles que não usam a ferramenta para comprar, mas na pesquisa de produtos e opiniões.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido para o desenvolvimento do e-commerce brasileiro, mas é essencial saber que essa não é mais um comportamento restrito às classes mais altas, é uma movimentação cultural em massa e é preciso ficar de olho nela.

Supermercado Makeover

terça-feira, 21 de julho de 2009

O varejo vive em constante mudança e adequação. No caso das redes de supermercados norte-americanos, esta mutação tem voltado-se para a questão da sustentabilidade. Neste sentido, produtos orgânicos, sem transgênicos e reciclados são as novas palavras de ordem deste setor.

Os produtos orgânicos, mais do que os produtos de conveniência – fáceis de preparar – e produtos de baixas calorias, afirmaram-se com o a tendência de alimentos número 1 da década. O mercado de produtos orgânicos já soma, nos EUA, 23 bilhões de dólares e está crescendo exponencialmente.

Quanto aos transgênicos, a rede Whole Foods está adotando a verificação não-GMO (genetically modified organisms), que garante a não-comercialização de produtos transgênicos. A tendência é que as redes varejistas assumam este papel.

Além disto, a preocupação do supermercado não se restringe aos produtos. As redes Earthbound Farm e Naked Juice anunciaram que utilizarão sacolas plásticas 100% recicladas. A Earthbound Farm diz que a medida busca aproximar a comida orgânica e uma imagem mais responsável. Esta motivação veio a partir de uma pesquisa que identificou que a embalagem comprometida com o meio ambiente era o terceiro fator determinante na compra de alimentos dos consumidores norte-americanos. Na frente da embalagem, estão somente a premissa do produto ser fresco e com ingredientes adicionais bons para saúde.

Com estes três movimentos, o varejo norte-americano está mudando em alta velocidade: o mínimo para sobreviver neste segmento. E você, seja do varejo ou indústria, como está adequando-se às novas premissas de sustentabilidade?

Lições da Indústria da Música

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A música é um conteúdo cultural tão relevante, tão permanente para a humanidade desde que foi criada, que não acredito na inexistência de uma indústria que se alimente dessa cultura.

A indústria da música passou por sérias transformações nos últimos anos. Tanto a chegada dos CDs, quanto a digitalização completa da música foram vistas sob lentes apocalípticas por muitas pessoas. “É o fim do mundo como o conhecemos…”.

De fato, essas transformações trouxeram grandes implicações, tanto para a música em si, quanto para a indústria que vive ao seu redor. Mas ao invés de um cataclisma, o que eu, particularmente, tenho observado é uma reinvenção.

Há pouco tempo atrás, ainda na esteira da discussão sobre músicas serem baixadas de graça, o Radiohead lançou seu álbum na internet para que as pessoas pagassem quanto quisessem. Arriscado, como toda grande ideia. Mas deu certo.
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Agora foi o Mos Def, rapper e ator americano, indicou o próximo passo. Ao invés de dar músicas de graça, ele modificou a maneira de vender a música.

Para lançar seu novo álbum, Ecstatic, ele está vendendo camisetas, com a capa do álbum na frente, a lista de músicas nas costas e um tag com um código para baixar o álbum na internet. Ele criou um novo canal de venda.

Talvez justamente por estar em ebulição e longe do risco de extinção é que seja tão interessante observar as lições que a indústria da música nos traz.

Branding em varejo. Ou como gerar valor sem berrar preços no intervalo da novela.

domingo, 19 de julho de 2009

walmart-save-money-live-better1No recente estudo BrandZ2009 da Millward Brown, que rankeia as mais valiosas marcas do planeta, o Wal-Mart é o grande campeão na categoria varejo. Com vendas totais de quase 400 bilhões de dólares, o valor da marca WM é de 41 bilhões. Não quero falar de números aqui. O estudo completo está em http://www.brandz.com/output/. Meu ponto é outro. Como o maior varejo do mundo, que já foi acusado de explorar seus colaboradores, ter lojas cravejadas de balas por vândalos, se reinventar a ponto de crescer em um ano tão difícil como o de 2008?

Criando um posicionamento matador: Save Money. Live Better. E fazendo jus a ele. Não é só um tema de campanha, viu?

Convenhamos, o conceito é bom pra cacete. Combina uma proposta de economia, eixo histórico do WM, com um apelo emocional que insinua uma conexão permanente com seu público. Confesso que comecei a ler o relatório especial de varejo que lista as 25 mais valiosas marcas, com certo enfado. Numbers, numbers, numbers. Aí me deparo com a análise de nosso campeão Wal-Mart, meio desconfiado. A despeito dos números impressionantes, achei interessantíssima a análise da eficiência/eficácia(sempre me confundo) da campanha. E o que mais achei interessante foi a maneira simples de conferir isso(Representação, Manifestação e Conversação). E lá se foi qualquer desconfiança, porque os caras entregam o que prometem.

É tanto blá, blá, blá sobre construção de marca, tanto palavreado jogado ao léo sobre a tal construção de marca, que quando a gente topa com uma definição simples, fica surpreso. Voltando à campanha do WM: O conceito Save Money. Live Better., através da comunicação(Representação), seria muito menos efetivo sem a complementação de iniciativas in-store(Manifestação), lojas mais amigáveis, merchandising mais agradável, tráfego de loja mais organizado. Fechando o ciclo, um sem número de alternativas de interação(Conversação) entre a loja e os consumidores. Mas de maneira real, verdadeira, buscando um conhecer o outro. Simples, não? Óbvio, não? E quem catzo, está fazendo isso no varejo local?

Tic, tac, tic, tac. Nenhum? Poucos? Algum?

Talvez a Renner seja o exemplo mais próximo. Com certeza nenhum supermercadista, e sem medo de errar, nenhuma rede de eletro. Senhores marqueteiros do varejo: mirem-se no exemplo de Sam Walt.É possível construir marca(com valor!) no varejo. Representação - comuniquem valor da marca, além daqueles cartões de preços irritantes. Manifestação - transfiram essa noção de valor dentro das lojas, limpem aquele piso, pintem aquela parede, climatizem a loja. Conversação - estabeleçam um canal de duas vias entre a loja/marca e seus consumidores. (Nananinha, aqui não vale só colocar um 0800 robotizado ou aquele Fale Conosco no site, que ninguém responde).

Outra coisa: vamos parar de achar que nós - publicitários, gerentes de produto, gerentes de marketing, consultores -  construimos marcas. Quem constrói marca são aqueles que se identificam com algo que nós(a turma citada aí atrás) fazemos de relevante, para que essa gente toda lembre de uma marca, seja minimamente fiel a ela e que se a gente fizer direitinho eles façam o favor de contar pra outros. Esse é um tema que eu quero trazer novamente, analisando o texto delicioso do Jeremy Bullmore, o cara mais iluminado do WPP Group quando o assunto é consumo e marca. Prometo fazer isso durante a semana.

Dá uma olhadinha nesses comerciais, precisa ficar berrando no intervalo da novela??

http://www.youtube.com/watch?v=wjEjEWRcT14

http://www.youtube.com/watch?v=4XGshOMljFs&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=gBWr-DBp0EA&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=a1ik_QtyLUo&NR=1

http://www.youtube.com/watch?v=ybU6XCdY3Dw&feature=related

Mario Paravisi