
A nova gripe se tornou uma pandemia na Argentina: é o segundo país com o maior número de infectados. Há algumas semanas, quando era o auge da crise, o país foi obrigado a mudar drasticamente seus hábitos para evitar uma maior contaminação.
Os argentinos tiveram que evitar ao máximo lugares fechados com muitas pessoas - bares, festas, transporte público, shoppings, ruas movimentadas, restaurantes, etc. Todos esses locais foram abandonados. Entretanto, necessidades e desejos tiveram que ser supridos apesar desse impedimento. E com isso, mudou os hábitos de consumo.
Os argentinos tiveram que ficar mais em casa - os que puderam, nem ao local de trabalho foram. Telentrega de refeições aumentou em 20%, o que, para um país que tem hábito de comer fora, é muito alto. Ao mesmo tempo, as pessoas que nunca foram adeptas das compras pela internet, foram obrigadas a experimentar esse artifício. O presidente da confederação das médias empresas afirmou que os pedidos por internet e por telefone já aumentaram 30%.
Os shoppings hoje começam a notar alguma melhora no movimento. Por conta disso, as marcas tiveram que adaptar seus sistemas de venda. Duas marcas de varejo de moda muito conhecidas em Buenos Aires criaram um serviço que permite aos clientes fazerem compras por telefone ou internet e terem suas compras entregues em casa no mesmo dia.
Já na parte de gastronomia, a entidade responsável por esse segmento no país registrou uma queda de 30% de clientes em bares, confeitarias e restaurantes. No último Dia dos Amigos - uma data muito celebrada pelos jovens argentinos -, a confraternização teve que ser redirecionada, já que bares e baladas estavam fechadas. Restringidos a pequenas festas em casa, os jovens expressaram sua amizade por meio das redes sociais - mensagens no Facebook, vídeos no YouTube, mensagens instantâneas. Muitas marcas aproveitaram a oportunidade e criaram formas próprias para saudar virtualmente os amigos.
As empresas de telefonia foram as que mais registraram benefícios - uma das operadoras afirmou que o número de mensagens de texto enviadas duplicou em relação ao Dia do Amigo do ano passado.
Essas mudanças de consumo e essas adaptações de empresas lembram muito o que aconteceu nos EUA durante o auge da recessão. As duas crises apresentaram ideias e exemplos que podem ser explorados na nossa realidade e até mesmo para prevenir futuras crises.





No recente estudo BrandZ2009 da Millward Brown, que rankeia as mais valiosas marcas do planeta, o Wal-Mart é o grande campeão na categoria varejo. Com vendas totais de quase 400 bilhões de dólares, o valor da marca WM é de 41 bilhões. Não quero falar de números aqui. O estudo completo está em http://www.brandz.com/output/. Meu ponto é outro. Como o maior varejo do mundo, que já foi acusado de explorar seus colaboradores, ter lojas cravejadas de balas por vândalos, se reinventar a ponto de crescer em um ano tão difícil como o de 2008?