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Up in the air

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ao longo desse ano, inúmeras notícias e pesquisas nos provaram que a classe C não se satisfaz mais com pouco. Ela quer a melhor qualidade, os melhores produtos e as melhores marcas – desde que as parcelas caibam no seu bolso.
O brasileiro de classe C tem, hoje, mais poder de compra que a classe alta (coletivamente, claro). Estamos falando de pessoas que já têm computador em casa, compram pela internet e, recentemente, antes dos jogos da Copa, impulsionaram as vendas de TVs de LCD no país.

O interessante é perceber que os sonhos de consumo desse cara não se restringem a equipar a casa. Eles também estão estreando em categorias de serviços antes distantes da sua realidade. Por exemplo, a demanda por vôos domésticos, que vem crescendo impulsionada por esse público. Percebendo isso, algumas companhias aéreas já botaram a mão na massa. A Tam, por exemplo, planeja vender suas passagens através de uma parceria com as Casas Bahia. Já a Azul pretende disponibilizá-las em redes de supermercado. Tudo isso de uma maneira plausível para o bolso da classe C, ou seja, em muitas parcelas.

A venda de passagens em supermercados é algo bem inusitado, mas estamos falando de um canal onde esse público está presente. Se isso vai funcionar é outra história, mas será muito interessante ver o turismo interno se movimentar com essa nova oportunidade. Vale lembrar que temos pela frente dois exemplos que prometem movimentar as rotas domésticas: Copa do Mundo FIFA e Jogos Olímpicos.

Certamente - e nós sabemos bem - o mercado não vai parar por aí. Novas oportunidades surgirão para segmentos que, uma vez, eram inatingíveis para esse público. Quais serão elas? O que mais pode ser vendido para esses caras? O que eles desejam e não podem comprar? Como a sua marca entra no meio disso?

O futuro da classe C

domingo, 13 de dezembro de 2009

O Data Popular, braço do grupo Datafolha focado nas classes de baixa renda, divulgou, no início desta semana, quais serão as 10 tendências para a classe C. Até o momento foram realizadas 100 mil entrevistas em 180 cidades brasileiras, o que permitiu traçar o comportamento e perspectivas para o futuro desta classe.

O Data Popular ressaltou que são vários os motivos para focar-se na classe C. Atualmente, ela representa 90% da população brasileira, é responsável por 79% do consumo, atinge 69% do mercado de cartões de créditos, representa 86% dos total de internautas no Brasil e movimenta mais de 760 bilhões por ano.

E então, como será a classe C no futuro?

1. Consumo de inclusão: a classe C também quer comprar, mas o foco é diferente da classe A. Eles preferesm a qualidade e a quantidade, não o status e a exclusividade.

2. Acesso e qualidade: para a classe C, a compra é considerada um investimento. Eles pesquisam antes de comprar.

3. Capilaridade, aval e segmentação: o ponto de venda deve ser próximo, pois fazem compras a pé e, na falta de dinheiro, sempre há o mercadinho da esquina que vende fiado.

4. Redes, dicas e boca a boca: são mais colaborativos e dividem a informação com a família e os vizinhos. Todos dão dicas de descontos, bons produtos e atendimento. E uma vez conquistados, se mantêm fiéis.

5. Tecnologia, família e invstimento: o computador conquistou seu espaço na sala da família de classe C. Representa acesso ao conhecimento, entretenimento e lazer.

6. Educação e cultura: caminho para a ascenção social. Estudar funciona como um plano de previdência familiar pois melhora a qualidade de vida de todos.

7. Juventude geração C: o Brasil do futuro tem a cara dos jovens da atual classe C. E esse jovem tem voz ativa dentro da família, 68% deles estudou mais do que os pais.

8. Identidade e autoestima: valoriza a conquista e enaltece a origem. Aqui vale a pena prestar atenção na regionalidade, na comunidade e na igreja.

9. Vaidade e beleza: estar bem arrumada é uma forma de diminuir as barreiras étnicas e sociais. As mulheres gastam em média 50 reais por mês no salão e 89% das entrevistadas afirmam que os cuidados pessoais as fazem melhores.

10. Novos papéis e nova família: a relação homem e mulher ganha maiores contornos nesta faixa de renda. 30% das familias da classe C são chefiadas por mulheres. A tão desejada igualdade de direitos chegou primeiro na classe C.